14 de maio de 2019

Retorno aos estudos motiva adolescentes socioeducandos da Casem


Os 84 adolescentes que cumprem medidas socioeducativas na nova Comunidade de Atendimento Socioeducativo Masculina (Casem), localizada no Conjunto Marcos Freire I, em Nossa Senhora do Socorro, voltaram a estudar este mês. O ensino faz parte da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), ofertada pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) na unidade administrada pela Fundação Renascer [vinculada à secretaria de Estado da Inclusão Social, da Assistência Social e do Trabalho (Seit)].

Com os mais diversos níveis de formação, os jovens enxergam nos estudos uma nova perspectiva de vida para quando saírem da unidade. “Está sendo uma oportunidade para aprender a ler e a escrever. Eu estou achando bom, porque ficamos com um conhecimento melhor, aprendemos várias coisas. É bom aprender a estudar, aprender a ler, fazer algo melhor para a vida. Tenho a perspectiva de quando sair daqui continuar estudando, mudar minha vida e criar meu filho”, disse I. S. S., de 17 anos.

O jovem M. F., de 21 anos, afirma que retorno às aulas lhe despertou o gosto pelos estudos. “Eu parei de estudar no 7º ano. Algumas amizades me fizeram perder o foco, então deixei a escola. Sempre tive a mente aberta para os estudos, tinha aquela inteligência para estudar. Infelizmente, em um determinado momento, a mente desfocou e fui para outro caminho. Mas, Graças a Deus, consegui me libertar do crime. Gosto muito daqui, da estrutura, da paisagem, do ambiente, do tamanho dos quartos e das diversas atividades realizadas para nossa ressocialização, que nos ajudam a pensar no futuro”, revelou.

O professor de história Luis Antônio Cruz falou da satisfação em poder contribuir com a formação dos jovens da unidade. “É gratificante para um professor, com mais de 20 anos de sala de aula, fazer esse trabalho social. Os alunos respondem bem às iniciativas educativas que propomos. No momento de encontro na sala de aula, utilizamos o lúdico, por meio de jogos e desenhos, que ajudam muito na compreensão. Desenvolvemos um processo socioeducativo, com educação de qualidade para esses jovens, que estão sob custódia do Estado, para que eles se sintam estimulados a concluir o ensino fundamental e médio, e a continuar os estudos na universidade”, pontuou o professor.

Educação para ressocialização
O planejamento pedagógico e a definição das turmas tiveram por base os diferentes estágios de formação dos adolescentes, segundo conta o coordenador técnico e psicólogo da Casem, Tiago Káteb. “Primeiramente, fizemos um nivelamento para saber em qual série esses adolescentes estavam. Então, fizemos toda a organização pedagógica, desde a definição das turmas em quatro etapas, passando pela quantidade de alunos em sala de aula, a metodologia empregada, a estruturação da biblioteca e seleção dos professores da Diretoria Regional de Educação (DR8), em parceria com a Seduc”, conta.

Durante um turno, os alunos assistem às aulas das disciplinas curriculares, e no turno inverso realizam oficinas de ressocialização. “São oficinas pedagógicas de capoeira, teatro e artes. Estamos com a perspectiva de trazer também a meditação. Como falamos muito no objetivo de ressocializar, temos que inserir a escola de forma eficaz, para ser base e alicerce para diversas atividades. Quando esses jovens forem liberados, eles terão maiores conhecimentos cognitivos e intelectuais”, explicou o coordenador Tiago.

Para o diretor da Casem, Rodrigo Silva, a educação é indispensável na vida do ser humano. “Nada é mais importante para os meninos que estão aqui cumprindo as medidas socioeducativas do que a inserção em sala de aula. Além do conhecimento intelectual, eles terão uma oportunidade. Muitos deles não tiveram isso na sociedade. Todos os 84 adolescentes estão matriculados e estudando, e tenho certeza que eles irão valorizar isso quando estiverem fora. Com o conhecimento adquirido em sala de aula, eles poderão retornar ao convívio em sociedade de uma forma mais digna”, disse.

Estrutura
Considerada uma das unidades-modelo do continente Sul-Americano, a Casem foi construída dentro dos padrões mais modernos para o cumprimento de medidas socioeducativas. A divisão dos alojamentos fica com 12 adolescentes em residências com quartos individuais e 72 adolescentes nas residências com quartos duplos. O espaço conta com salas de aula e oficina, auditório, centro ecumênico, quadra poliesportiva e anexos, oito alas, refeitórios climatizados, área de convivência para visitas e enfermaria.

Fotos: Pritty Reis