1 de abril de 2019

Diversidade e valorização do trabalho feminino marcam 2ª edição do ‘Sarau Com Elas’


A segunda edição do Sarau Com Elas, realizado na última sexta-feira, 29, fechou com um brilho todo especial a participação da secretaria de Estado da Inclusão, Assistência Social e do Trabalho (Seit) na programação ‘Todxs Por Todas’, desenvolvida durante todo o mês de março pelo governo do Estado. O evento contou com uma programação recheada de talentos femininos locais, expressados nas apresentações de Izabel Nascimento (Cordel), Mc Negratcha e Mariáh Médici (Rap), Aua Ananã (Capoeira), Travas Nagô (Rap/Funk) e Livia Aquino e Afoxé de Odé (Afoxé). Na feirinha de artesanato, exposição de produtos produzidos por mulheres, ndas marcas Yalaxó, Inaê Biocosmética Artesanal, Nefertiti Fitocosmética Natural, Cantinho da Costura, Belecar, Odoyá, Negra Luz, Faustina Gourmet e Yapadá Gastronomia.

Gerar conexões entre as pessoas e fomentar o empoderamento feminino foram alguns dos objetivos da programação, segundo a secretária de Estado da Inclusão Social, Lêda Couto, que prestigiou o evento. “Uma das formas mais eficazes de inclusão social é a geração de renda. Ficamos muito felizes de valorizar o trabalho dessas mulheres e dar lugar à sua expressão artística, ao mesmo tempo em que revitalizamos um espaço tão importante quanto é o Zé Peixe. Pretendemos levar o Sarau para o ano todo, e fomentar a ocupação deste lugar, que é de toda a população”, disse Lêda.

Segundo a referência técnica para povos e comunidades tradicionais da Seit, Iyá Sônia Oliveira, as mulheres estão na sociedade em maior número e precisam ser vistas durante todos os dias do ano. “O ‘Sarau Com Elas’ surgiu da proposta de impulsionar as empreendedoras da arte, da cultura, do artesanato, e empoderar essas mulheres, com o objetivo de dar equidade – direitos iguais aos diferentes. A secretaria trabalha para essas pessoas. Quanto mais próximos estivermos, mais políticas públicas poderão ser implementadas e mais serviços poderão ser ofertados”, disse.

A população que transitava pelo Centro da Capital também prestigiou o evento, a exemplo da jornalista e artista cênica Anne Samara Torres, que elogiou a iniciativa. “Acredito muito no projeto de ocupar o Centro da cidade com arte e cultura para gerar a inclusão das pessoas. Um evento como esse serve de pontapé para a valorização contínua das mulheres, brancas, negras, jovens, idosas, trans, LGBT, todas – sem padrões ou exclusões”, pontuou a jornalista.

Força, resistência e Diversidade
Cordelista desde criança, Izabel Nascimento conta histórias em verso e ressalta a missão de resistência desta arte. “O cordel defende o grito do povo e um desses gritos é o respeito às mulheres e ao trabalho que elas têm desempenhado. Enfrentamos o preconceito, o machismo e as pessoas que tentam desqualificar o nosso trabalho. Mas quando a gente transforma isso em arte, a gente consegue reverter. Eventos como o ‘Sarau Com Elas’ fortalecem a nossa resistência e nos unem em movimento coletivo”, destacou Izabel.

 

Primeira mestra de capoeira de Sergipe, Maria Silvana da Silva – ou simplesmente Mestre Felina – mostrou que roda de capoeira também é lugar de mulher, se apresentando juntamente com as meninas do grupo Aua Ananã. “Estamos aqui ajudando a libertar as mulheres de alguns padrões, dentro e fora da capoeira. Eu sou um espelho para essas meninas, e é uma responsabilidade muito grande. Existe muita cobrança em cima do papel que represento e tem muitas pessoas contrárias. Mas sigo firme nos trabalhos para incentivar, principalmente os jovens, e pessoas em situação de risco. Capoeira é cura, é saúde, é libertação”, defendeu.

O grupo Trava Nagô também aproveitou a deixa para quebrar os padrões e manifestar a identidade feminina de luta. O trio deu um show, com músicas de resistência e que falavam das dificuldades de aceitação da sociedade. “O nome travesti é muito marginalizado pela sociedade. Estamos aqui para desmistificar e fazer a revolução acontecer. Iniciativas como o ‘Sarau Com Elas’ são importantes para mostrar para a sociedade que nós existimos, trabalhamos, vivemos. Somos mulheres, independente da genitália. Nossa identidade está na nossa mente”, disse uma das integrantes do grupo, Quésia Sonza.

A artesã Sandra Petra Kiener viveu 12 anos na África e, inspirada nas mulheres do país, criou a Belecar. “O nome da marca vem do dialeto africano ‘changana’, e significa ‘carregar o bebê nas costas’. A lojinha nasceu em 2014 com a proposta de criar bolsas e acessórios com os mesmos tecidos que as mulheres africanas usam para carregar os bebês. São tecidos lindos e com cores intensas, muito resistentes e multifuncionais. Nós, artesãs, temos pouco espaço para apresentar o nosso trabalho e essa oportunidade fez a diferença para reafirmarmos nossa posição da mulher no mundo”, contou a artesã.

As delícias culinárias da ‘Faustinha Gourmet’ também foram bastante procuradas no Sarau. Comercializando doces e salgados, Fausta Regina Menezes Dória manda um recado para outras mulheres. “Com 55 anos, participar de um evento como este mostra o poder do empreendedorismo. Agradeço aos organizadores, que fizeram esse grande encontro cultural. Quero deixar um recado para as mulheres que estão em casa, sem saber o que fazer e à sombra de alguém: nós, mulheres, podemos tudo. Basta ter foco naquilo que desejamos”, incentivou.

|Fotos: Pritty Reis